O mundo do trabalho nas sociedades da antiguidade clássica: Grécia e Roma



Algumas das civilizações da antiguidade baseavam-se em sistemas escravistas, apesar da existência de outras formas de trabalho. Em cada sociedade essa relação de trabalho foi instituída visando a objetivos e a justificativas diferenciadas.


Grécia Antiga




Para os gregos dos séculos VI a IV a.C., a condição de escravo estava ligada à concepção de política que a sua sociedade desenvolveu, principalmente em Atenas.

Na Grécia, o cidadão, para participar ativamente das discussões dos problemas da pólis (cidades-estado), bem como se dedicar à elaboração de leis e aos cargos públicos, necessitava do ócio - tempo livre - para exercer essas funções. Leia o texto do filósofo Will Durant (1885-1981) e analise a visão dele em relação ao trabalho.  


Apesar da sociedade grega ser voltada para as cidades e à vida urbana, a agricultura constituía-se na principal atividade econômica, ou seja, eram livres os camponeses que retiravam da terra seus próprios meios de subsistência. Por isso, possuir terra tinha grande importância para esta sociedade. Na maioria das cidades gregas dos séculos VI e V a.C., só os cidadãos podiam ser proprietários. No entanto, em suas poucas faixas de terras férteis, os homens gregos tentavam subtrair do solo fraco: frutas, leguminosas, trigo, cevada e, em maior escala, azeite de oliva e vinho. A escassez de terras facilitou a formação de núcleos urbanos independentes.


Mas, para manter a estrutura das cidades, conseguir tempo livre para dedicar-se a sua administração e produzir riqueza, foi necessário que generalizasse o trabalho escravo. Portanto, o escravismo tornou se o modo de exploração econômico que sustentava a cidade e o campo e que proporcionava privilégios às elites gregas.

A escravidão na antiguidade originou-se, principalmente, da guerra ou das dívidas, sendo esta última forma abolida na Grécia por volta do século V a.C. A grande maioria dos escravos destinava-se ao trabalho agrário, no entanto, realizavam todo o tipo de trabalho, seja nas minas, nas oficinas, nas residências e para o Estado.


Mas o que era ser escravo na Grécia Clássica?

Ser escravo nas pólis significava não poder participar da vida política, ser excluído de parte das festas religiosas, ser desprovido de direitos e da educação para jovens cidadãos.

Assim, o que restava ao escravo?
Para um escravo tornar-se adulto não implicava um salto qualitativo ou uma preparação gradual, como acontecia com os filhos dos cidadãos livres. Se o adjetivo andrápodon, homem-pré, usado para designar o escravo, tendia a identificá-lo com a condição dos quadrúpedes, signar o escravo, tendia a identificá-lo com a condição dos quadrúpedes, tetrapoda, o termo pais (relativo a criança), pelo qual era frequentemente chamado, realçava a sua eterna condição de menoridade. Como diz Aristófones nas Vespas ‘é justo chamar pais a quem apanha pancada, mesmo que seja velho’. Em Atenas, só se podia aplicar castigos físicos a escravos e a crianças, não a adultos livres. Talvez só os escravos pedagogos, que acompanhavam os filhos do senhor à casa do mestre, é que podiam aprender indiretamente a ler e a escrever, assistindo às lições. Mas, por princípio, a única instrução que um escravo podia receber estava associada ao tipo de trabalho que desempenhava na casa do patrão, numa gama que ia dos menos duros serviços domésticos ao trabalho duríssimo nas minas, reservado exclusivamente aos escravos e em que também se utilizavam crianças, não só nas minas da Núbia, de que nos fala Diodoro Sículo, mas também, nas minas atenienses do Láurio.
(CAMBIANO apud BORGEAUD et al., 1994, p. 79)  

Roma Antiga

Assim como na Grécia, em Roma a escravidão foi praticada por vários séculos. Na Península Itálica, no final do século III a.C., havia grandes massas de escravos, mas foi a partir do século I a.C. que generalizou-se a escravidão.

A escravidão provinha principalmente dos prisioneiros de guerras, resultado das conquistas realizadas por Roma a partir de meados do século III a.C., como as Guerra Púnicas (Roma contra Cartago). Os romanos diferenciavam os escravos de acordo com o trabalho que realizavam. Os escravos destinados ao trabalho no campo integravam à família rústica, pesava sobre eles severa disciplina, submetidos às ordens do vilicus (feitor, arrendatário). No ano 160 a.C., Marcus Porcius Cato, também chamado de Catão, o Velho (243-143 a.C.), recomendava que sobrecarregasse os escravos com os serviços, sem importar-se com o tempo ou dias de feriado, pois a produção agrícola constituía-se na base econômica da sociedade romana.

Nas cidades romanas, os escravos pertencentes aos ricos senadores ou plebeus faziam parte da “família urbana”, dependendo diretamente dos seus senhores ou de outros escravos. Esses escravos desempenhavam serviços domésticos e profissionais, como: arquitetos, músicos e gramáticos. Os escravos também desenvolviam serviços como: nas pedreiras, fábricas de tijolos e nos moinhos.

Sendo assim, os romanos distinguiam os escravos entre especializados em determinados ofícios e os escravos de serviços mais penosos.

Merecem destaque alguns aspectos do direito romano, em relação à condição dos escravos. Estes não tinham direito de contrair matrimônio legítimo, a união entre escravo e escrava era o contubernium, ou seja, não reconhecida legalmente. Os filhos de escravos pertenciam ao senhor. Portanto, os escravos eram vistos como “coisa”, ou um instrumento – instrumentum vocaleum grau acima do gado, considerados instrumentum semi-vocale –, isto é, propriedades de um senhor.

O escravo romano podia adquirir sua liberdade pela concessão de seu dono, vontade do príncipe ou pelo benefício da lei, como no caso da venda de um escravo com a cláusula de ser manumitido (liberto) em determinado prazo, quando vencido esse prazo, o escravo estava livre.

Filosofa e escravidão

Por volta dos séculos VI e V a.C., a filosofia teve início na Grécia. Esta dimensão do conhecimento humano possui grande importância para a sociedade contemporânea, pois tem contribuído na discussão de temas relacionados à política, à ética, à moral, à liberdade e outros. O conhecimento da filosofia só foi possível para os cidadãos gregos porque possuíram tempo reservado para dedicarem-se a reflexão, a cidadania e ao governo. Enquanto os escravos realizavam atividades não reflexivas, de transformação da natureza, consideradas inferiores pela sociedade grega. Portanto, a diferença social entre os homens era considerada “natural”, não havia, para os gregos, contradição entre a divisão do trabalho manual e intelectual, sendo assim, o comando de uma parte e a obediência de outra.

Na época de Aristóteles (século IV a.C.), discutia-se que havia homens feitos para liberdade e outros para a escravidão, isto significava que, todo aquele que não tinha nada de melhor para oferecer do que o uso de seu corpo e a força física, estavam condenados à escravidão por natureza.
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