Pré-história Amazônica


Cerâmica Tapajoara
Não existe um quadro consensual, entre os pesquisadores antropólogos e arqueólogos, sobre a periodização da ocupação pré-histórica da Amazônia. Isso em função das poucas pesquisas realizadas nessas primeiras fases de ocupação humana da Região. Por isso, os cientistas fizeram uma periodização provisória, assim organizada: 

Fase Paleoindígena
As culturas paleoindígenas da América do Norte parecem ter começado entre 11.200 e 10.900 anos e terminado por volta 8.500 anos atrás. Em geral, as populações paleoindígenas eram dispersas e pouco numerosas; viviam organizadas socialmente em bandos frouxos e nômades; eram caçadoras especializadas na captura de animais de grande porte, pertencia à chamada megafauna (mastodonte, bisontes, cervídeos e camelídeos, antigos cavalos, elefantes, preguiças e tatus gigantes, antas, tigre-dente-de-sabre etc.), estavam altamente adaptados aos ambientes terrestres abertos, de clima temperado das Américas.

Os bandos paleoindígenas da América do Sul, apesar da sua contemporaneidade com os da América do Norte, apresentavam características diferenciadas no padrão de subsistência. Enquanto que as populações paleoindígenas norte-americanas davam ênfase à caça de megafauna, as sul-americanas davam maior importância à coleta de moluscos, de plantas e à caça de animais.

Fase Arcaica
Por volta de 6000 a. C., as populações estabelecidas em áreas produtivas ao longo do rio Amazonas começam a fabricar cerâmica. Entre 2000 e 1000 a.C., desenvolveu-se uma ocupação estável de horticultores de raízes (mandioca etc.), produtores de cerâmica com decoração incisa e com apêndices zoomorfos modelados, às vezes com pintura geométrica vermelha e branca.

A cronologia da Fase Arcaica da Amazônia, grosso modo, seria de 7.500 a 1.000 a.C.. De acordo como arqueólogo Pedro Ignácio Schmitz, a cultura dessa fase seria mais diversificada que a da Fase Paleoindígena. O homem do período Arcaico já buscava novos recursos alimentares nas savanas, nas estepes, no litoral e nos lagos. A caça já não seria especializada em megafauna, mas em geral era diversificada; a coleta animal e vegetal aumentaria, e a experimentação e o conhecimento acumulado levariam a domesticação das plantas e de animais. Foram descobertos e identificados diversos sambaquis no delta e região do baixo Amazonas, costada Guiana e foz do Orenoco, pelos quais foi possível inferir-se uma transição da subsistência baseada na caça e coleta para uma agricultura incipiente, e do estágio pré-cerâmico. O sambaqui de Taperinha (região de Santarém-Pará), por exemplo, é um sitio arqueológico da Fase Arcaica. Nele, foram encontrados instrumentos de pedra lascada: machados, pedras de quebrar nozes,moedores, alisadores e utensílios de osso e chifre. O sambaqui de Taperinha também contém um componente cerâmico de cor avermelhada, cujas formas se resumem a cuias abertas, de bases arredondadas e bordas cônicas, arredondadas ou quadradas, algumas peças desse conjunto, cerâmicas apresentavam incisões curvilíneas nas bordas.

Fase da Pré-história Tardia
A Fase da Pré-história Tardia (1000 a.C. a 1000 d.C.) pode ser caracterizada pelo surgimento, ao longo dos principais braços e deltas dos rios, de sociedades indígenas com grau de complexidade bastante significativo na sua economia, na demografia e nas organizações políticas e sociais. Tinham domínios culturais tão grandes ou até mesmo maiores que os de muitos Estados pré-industriais do Velho Mundo, tais como as civilizações minoica e micênica e os Estados africanos como Ashanti e Benim, ou as do vale do Indo, na Índia. Essas sociedades indígenas são denominadas pelos antropólogos de cacicados complexos.

Extinção dos Cacicados
Por cerca de dois mil anos, o meio ambiente forneceu a sustentação das sociedades complexas, no entanto, com a chegada dos europeus, em nome de uma civilização cristã e de uma incessante busca de poder e riqueza material, os cacicados forma destruídos – diretamente com as guerras e a escravidão; indiretamente, através do contágio por doenças até então desconhecidas – fazendo suas populações desaparecerem completamente da maior parte das várzeas.

Os índios sobreviventes internaram-se na floresta, formando sociedades tribais independentes, provavelmente retornando aos padrões que antecederam ao surgimento dos cacicados: subsistência baseada em plantas amidoadas e proteína animal e os estilos artísticos principalmente zoomórficos.

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