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O Conflito entre o Ocidente e o Islã



Em 11 de setembro de 2001, os ataques da Al Qaeda aos Estados Unidos marcaram, neste começo de século, uma relação bastante difícil entre o "Ocidente" (leia-se Estados Unidos e Europa) e os povos islâmicos. De um lado, muitas atitudes e leis consideradas restritivas ou de preconceito contra a religião muçulmana (tais como ameaças contra o Corão ou leis que restringem o uso dos tradicionais véus); de outro, um aprofundamento do fundamentalismo como uma reação ao processo de globalização e do que se considera uma interferência do Ocidente em assuntos domésticos.

As relações entre os países de predomínio muçulmano e o Ocidente, apesar das intensas trocas culturais (na Medicina, Matemática, Astronomia etc), também apresentaram conflitos, muitos deles em nome da religião. Tais conflitos se aprofundaram com o processo de descolonização e com a fundação do Estado de Israel, um evento realizado, segundo vários representantes políticos do Oriente Médio, à revelia dos demais povos que ocupavam esta região há quase 1500 anos. A expressão destes conflitos, tratados por muitos à época como conflitos regionais, tornaram-se globalmente importantes inicialmente com as crises internacionais do petróleo, cujos preços foram utilizados como objeto de barganha em relação às grades potências da época. Tal importância do petróleo também foi fundamental para a primeira de muitas intervenções do Ocidente no Oriente Médio no pós-Guerra Fria: a Primeira Guerra do Golfo.

Com o fim do conflito Capitalismo-Socialismo que marcou os anos 60 e 70, estabelece-se a globalização dos anos 90. O ingresso da cultura ocidental nestes países promoveu um choque com as tradições islâmicas, e muitos grupos reagiram a tal processo, já marcados fortemente pelos antecedentes das intervenções do Ocidente, através de uma radicalização dos ideais islâmicos: o Fundamentalismo, que levou aos ataques da Al Qaeda (o ápice de muitos outros ocorridos anos antes), que motivou a invasão do Afeganistão e do Iraque (sem dúvida uma das "jóias da coroa" do Oriente Médio, dadas as grandes reservas de petróleo), levando a mais radicalismos, em um círculo vicioso de intolerância e de uso da religião para promover ideais de violência e guerra.

Por outro lado, o Ocidente, em vez de utilizar a razão para compreender tais fenômenos, adotou a generalização indevida: uma série de declarações e atos contra a existência do Islã. Leis contra o uso de símbolos religiosos (véus, crucifixos, estrelas-de-Davi, crescentes, Bíblias, Torás, o Corão), cuja discussão raramente eram levantadas, foram fervorosamente discutidas à luz dos eventos terroristas e da defesa do Estado laico – a lei dos véus na França, por exemplo. Na Europa, em especial, tais medidas atingiram uma minoria, muitos deles de imigrantes, levando a mais medidas de "proteção" contra os imigrantes africanos.

O século XXI, destinado a ser o século da concórdia entre os povos, da globalização e da troca cultural irrestrita, se inicia com um conflito cultural de grande relevância, fundado não em questões básicas de religião, mas em conflitos econômicos, políticos e sociais, revelando justamente o oposto – a incapacidade humana de compreender as idiossincrasias da cultura alheia.

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