Sistema Colonial - Sociedade - Questões de Vestibulares - Gabarito



1. (Cesgranrio) "É assim, extremamente simples, a estrutura social da colônia no primeiro século e meio de colonização. Reduz-se, em suma, a duas classes: de um lado, os proprietários rurais, a classe abastada dos senhores de engenho e fazenda; doutro, a massa da população espúria dos trabalhadores do campo, escravos e semilivres." 
PRADO JUNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil - Colônia e Império. SP: Brasiliense, 1988, p. 28/29. 

O trecho acima se refere à sociedade colonial brasileira, estruturada em função da economia agroexportadora canavieira. Entretanto, nessa época, crescia a atividade mineradora, provocando algumas mudanças. A respeito desse período, pode-se afirmar que o(a): 
a) prestígio e o poder dos proprietários rurais diminuíram, em virtude da pressão exercida pela massa escrava alforriada. 
b) esgotamento dos veios auríferos e de diamantes contribuiu para o declínio da escravidão e o aumento da corrente migratória européia para a região. 
c) sociedade se democratizou, pela ação de uma classe média forte e politizada. 
d) sociedade se tornou mais complexa, com o surgimento de novos grupos sociais, apesar da manutenção do trabalho escravo. 
e) extinção do indígena na Amazônia foi resultado da exploração de recursos minerais nos garimpos da região. 

2. (Fei) A chamada "sociedade patriarcal", característica do Brasil Colonial, assentava-se em dois elementos essenciais, que eram: 
a) livre comércio e isenção de taxas; 
b) mão-de-obra assalariada e monocultura; 
c) pequena propriedade e exportação; 
d) senhores e escravos; 
e) comércio e lavoura. 

3. (Fuvest) A sociedade colonial brasileira "herdou concepções clássicas e medievais de organização e hierarquia, mas acrescentou-lhe sistemas de graduação que se originaram da diferenciação das ocupações, raça, cor e condição social. (...) As distinções essenciais entre fidalgos e plebeus tenderam a nivelar-se, pois o mar de indígenas que cercava os colonizadores portugueses tornava todo europeu, de fato, um gentil-homem em potencial. A disponibilidade de índios como escravos ou trabalhadores possibilitava aos imigrantes concretizar seus sonhos de nobreza. (...) Com índios, podia desfrutar de uma vida verdadeiramente nobre. O gentio transformou-se em um substituto do campesinato, um novo estado, que permitiu uma reorganização de categorias tradicionais. Contudo, o fato de serem aborígenes e, mais tarde, os africanos, diferentes étnica, religiosa e fenotipicamente dos europeus, criou oportunidades para novas distinções e hierarquias baseadas na cultura e na cor." 
(Stuart B. Schwartz, SEGREDOS INTERNOS) 
A partir do texto pode-se concluir que: 
a) a diferenciação clássica e medieval entre clero, nobreza e campesinato, existente na Europa, foi transferida para o Brasil por intermédio de Portugal e se constituiu no elemento fundamental da sociedade brasileira colonial. 
b) a presença de índios e negros na sociedade brasileira levou ao surgimento de instituições como a escravidão, completamente desconhecida da sociedade européia nos séculos XV e XVI. 
c) os índios do Brasil, por serem em pequena quantidade e terem sido facilmente dominados, não tiveram nenhum tipo de influência sobre a constituição da sociedade colonial. 
d) a diferenciação de raças, culturas e condição social entre brancos e índios, brancos e negros, tendeu a diluir a distinção clássica e medieval entre fidalgos e plebeus europeus na sociedade colonial. 
e) a existência de uma realidade diferente no Brasil, como a escravidão em larga escala de negros, não alterou em nenhum aspecto as concepções medievais dos portugueses durante os séculos XVI e XVII. 

4. (Pucmg) A situação dos mulatos em Minas Gerais, no século XVIII, tem relação com: 
a) a estrutura social e demográfica que se apoiava firmemente sobre a base da escravidão africana. 
b) o desejo de homens, na ausência de herdeiros legítimos, de libertar seus filhos de mãe escrava. 
c) o respeito às leis e o cuidado de não cometer erros graves que colocassem em risco seus direitos. 
d) os esforços para restringir as alforrias e para proibir que mulatos herdassem propriedades. 

5. (Uerj) Desconhecendo as sociedades nativas, os europeus tinham a impressão de que os índios viviam "sem Deus, sem lei, sem rei, sem pátria, sem razão". 
(VAINFAS, Ronaldo (dir.). Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.) 

No Brasil, nos primeiros séculos de colonização, a imagem apresentada dos indígenas levou a uma oposição entre os missionários, principalmente os jesuítas, e os colonizadores. 
Esta oposição de projetos em relação aos indígenas está expressa, respectivamente, na seguinte alternativa: 
a) defesa da conversão e da liberdade x direito de escravização 
b) estabelecimento de alianças com tribos tupis x política de extermínio seletivo 
c) aceitação de costumes como a poligamia x imposição da cultura do conquistador 
d) emprego como trabalhadores livres x inserção socioeconômica como trabalhadores semilivres 

6. (Uff) "As festas e as procissões religiosas contavam entre os grandes divertimentos da população, o que se harmoniza perfeitamente com o extremo apreço pelo aspecto externo do culto e da religião que, entre nós, sempre se manifestou (...). O que está sendo festejado é antes o êxito da empresa aurífera, do que o Santíssimo Sacramento. A festa tem uma enorme virtude congraçadora, orientando a sociedade para o evento e fazendo esquecer da sua faina cotidiana.(...). A festa seria como o rito, um momento especial construído pela sociedade, situação surgida "sob a égide e o controle do sistema social" e por ele programada. A mensagem social de riqueza e opulência para todos ganharia, com a festa, enorme clareza e força. Mas a mensagem viria como cifrada: o barroco se utiliza da ilusão e do paradoxo, e assim o luxo era ostentação pura, o fausto era falso, a riqueza começava a ser pobreza, o apogeu decadência
(Adaptado de SOUZA, Laura de Mello e. "Desclassificados do Ouro". Rio de Janeiro, Graal, 1990, pp. 20-23) 

Segundo a autora do texto, a sociedade nascida da atividade mineradora, no Brasil do século XVIII, teria sido marcada por um "fausto falso" porque: 
a) a mineração, por ter atraído um enorme contingente populacional para a região das Gerais, provocou uma crise constante de subalimentação, que dizimava somente os escravos, a mão-de-obra central desta atividade, o que era compensado pela realização constante de festas; 
b) o conjunto das atividades de extração aurífera e de diamantes era volátil, dando àquela sociedade uma aparência opulenta, porém tão fugaz quanto a exploração das jazidas que rapidamente se esgotavam; 
c) existia um profundo contraste entre os que monopolizavam a grande exploração de ouro e diamantes e a grande maioria da população livre, que vivia em estado de penúria total, enfrentando, inclusive, a fome, devido à alta concentração populacional na região; 
d) a riqueza era a tônica dessa sociedade, sendo distribuída por todos os que nela trabalhavam, livres e escravos, o que tinha como contrapartida a promoção de luxuosas cerimônias religiosas, ainda que fosse falso o poderio da Igreja nesta região; 
e) a luxuosa arquitetura barroca era uma forma de convencer a todos aqueles que buscavam viver da exploração das jazidas que o enriquecimento era fácil e a ascensão social aberta a todas as camadas daquela sociedade. 

7. (Ufrn) O texto abaixo analisa as relações entre o homem e a mulher no Brasil, no período da Colônia e do Império. 
Muitas mulheres foram enclausuradas, desprezadas, vigiadas, espancadas, perseguidas. Em contrapartida, várias reagiram às violências que sofriam. Parte da população feminina livre esteve sob o poder dos homens, outra parte rompeu uniões indesejáveis e tornou-se senhora do próprio destino. As práticas consideradas "mágicas" foram uma das maneiras pelas quais as mulheres enfrentaram as contrariedades do cotidiano. Chegaram até mesmo a causar temor entre os homens. Acreditava-se que as "feiticeiras" tinham o poder de "cura" ou o poder sobre o amor e a fertilidade masculina e feminina, através de "poções mágicas". 
Adaptado de: MOTA, Myriam Becho; BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo: Moderna, 1997. p. 239. 

A partir do texto, é possível concluir que, na sociedade brasileira colonial e imperial, 
a) as mulheres ocupavam o centro decisório das famílias, mesmo que homens praticassem atos violentos contra elas, ferindo o estabelecido pela lei. 
b) o modelo de família patriarcal, apesar de dominante, era subvertido por vários procedimentos adotados pelas mulheres. 
c) o rompimento de uma relação matrimonial por parte da mulher era considerado um ato de feitiçaria, passível de punição pela Inquisição católica. 
d) as mulheres tinham poder de decisão quanto ao número de filhos, satisfazendo, assim, o modelo feminino característico da sociedade patriarcal. 

8. (Ufv) Durante o período colonial no Brasil, a desorganização da administração metropolitana e a prática da venalidade do funcionalismo real (compra e venda de cargos), aliadas às dificuldades de comunicação entre a Europa e a América, contribuíram para o crescimento do poder dos "homens bons". Essa expressão era utilizada para designar aqueles que: 
a) integravam a Companhia de Jesus, ordem religiosa formada em torno de Inácio de Loyola, a qual, no Brasil, buscou promover a conversão dos índios ao cristianismo. 
b) podiam eleger e ser eleitos para os cargos públicos ligados às câmaras municipais, principal instância de representação local da monarquia portuguesa. 
c) participaram da Inconfidência Mineira, um levante contra o governo colonial, no final do século XVIII, tendo como uma de suas motivações a cobrança da derrama. 
d) habitavam os quilombos e mocambos e lutavam pela liberdade, sendo em sua maioria comerciantes e escravos negros fugidos, de origem africana ou nascidos no Brasil. 
e) integravam as expedições armadas, de caráter oficial ou particular, entre os séculos XVI e XVIII, e se aventuravam pelo interior do Brasil, em busca de ouro ou de indígenas para fazê-los escravos. 

9. (Unifesp) Estima-se que, no fim do período colonial, cerca de 42% da população negra ou mulata era constituída por africanos ou afro-brasileiros livres ou libertos. Sobre esse expressivo contingente, é correto afirmar que 
a) era o responsável pela criação de gado e pela indústria do couro destinada à exportação. 
b) vivia, em sua maior parte, em quilombos, que tanto marcaram a paisagem social da época. 
c) possuía todos os direitos, inclusive o de participar das Câmaras e das irmandades leigas. 
d) tinha uma situação ambígua, pois não estava livre de recair, arbitrariamente, na escravidão. 
e) formava a mão-de-obra livre assalariada nas pequenas propriedades que abasteciam as cidades. 

10. (Unifesp) De acordo com um estudo recente, na Bahia, entre 1680 e 1797, de 160 filhas nascidas em 53 famílias de destaque, mais de 77% foram enviadas a conventos, 5% permaneceram solteiras e apenas 14 se casaram. 
Tendo em vista que, no período colonial, mesmo entre pessoas livres, a população masculina era maior que a feminina, esses dados sugerem que 
a) os senhores-de-engenho não deixavam suas filhas casarem com pessoas de nível social e econômico inferior. 
b) entre as mulheres ricas, a devoção religiosa era mais intensa e fervorosa do que entre as mulheres pobres. 
c) os homens brancos preferiam manter sua liberdade sexual a se submeterem ao despotismo dos senhores-de-engenho. 
d) a vida na colônia era tão insuportável para as mulheres que elas preferiam vestir o hábito de freiras na Metrópole. 
e) a sociedade colonial se pautava por padrões morais que privilegiavam o sexo e a beleza e não o status e a riqueza.
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