Didática: Teoria da Instrução e do Ensino (Resumo)



Por Rejane Ferreira *

Na discussão de José Carlos Libâneo, especificamente no capitulo 3, o autor vai discorrer sobre a Didática: Teoria da Instrução e do Ensino. Neste capitulo, Libâneo aborda os fundamentos da didática e seus vínculos educacionais, com o objetivo de explicitar seu objeto de estudo e assim incluir seus principais temas de forma indispensável para o exercício do profissional.

A didática como atividade pedagógica escolar
A literatura pedagógica investiga a natureza das finalidades da educação como processo social, dentro de uma determinada sociedade, com a finalidade de assegurar o fazer pedagógico na escola, e na formação dos indivíduos na sociedade. Sua grandeza política, social e técnica, assegura o modo essencialmente pedagógico desta especialidade. Definindo-se assim como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino.

O autor define outros termos baseais nesta construção escolar, destacando a instrução e o ensino como primordiais do processo pedagógico escolar. Desse modo, Libâneo traduz objetivos sociais e políticos de investigação quanto aos objetivos de ensino, seleciona e organiza os conteúdos e métodos e, ao estabelecer as conexões entre ensino e aprendizagem, indica princípios e diretrizes que irão regular a ação didática.

Em suma, os temas essenciais da didática são: os objetivos sociopolíticos e pedagógicos da educação escolar, os conteúdos escolares, os princípios didáticos, os métodos de ensino e de aprendizagem, as suas formas organizativas do ensino, o uso e a aplicação de técnicas recursos, o controle e a avaliação da aprendizagem.

Objetivo de estudo: o processo de ensino
Por conseguinte, o objeto de estudo da didática é o processo de ensino, campo principal da educação escolar. Segundo o autor, o processo de ensino é uma sequência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. Diz ainda que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo, que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor.

Os componentes do processo didático
Consequentemente, o ensino de uma forma ou de outra envolve uma atividade complexa, sendo influenciado por condições internas e externas. Cada situação didática vai apresentar condições diferentes e esse fato é fundamental para o trabalho docente. A situação didática em sala de aula esta vinculada a determinantes econômico-sociais e socioculturais, afetando assim diretamente a ação didática.

Percebe-se que o processo didático está centralizado na relação entre ensino e aprendizagem, de modo que vai ser fundamental um bom acompanhamento docente nesse meio onde serão determinados elementos construtivos da didática como: conteúdos das disciplinas, ação de ensinar e aprender.

Desenvolvimento histórico da Didática e tendências pedagógicas
Segundo o Libâneo, a didática e sua história estão conectadas ao surgimento do ensino num certo período de desenvolvimento da sociedade. Na antiguidade clássica ou no período medieval já havia registros de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros, universidades. Entretanto, a didática vai surgir em meados do século XVII, com João Amos Comênio, na sua primeira obra sobre a didática, "A didática Magna", colocando na obra princípios e regras de ensino como:

A finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus. 
O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural, isto é, de acordo com suas características de idade e capacidade. 

A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. 
O planejamento do ensino deve seguir o curso da natureza infantil; por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. 

Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um pensador que procurou interpretar essas aspirações, propondo uma concepção nova de ensino, baseada nas necessidades e interesses imediatos da criança. Suas ideias mais importantes foram:

A preparação da criança para vida futura deve basear-se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. E que antes de ensinar as teorias, elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. Salienta ainda Rousseau que os verdadeiros professores são os elementos da natureza, porque através da experiência ocorre o despertar do sentimento e do interesse das potencialidades dos alunos. Já que a educação é um processo natural e se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno.

Porém, Rosseau não colocou suas ideias em prática, cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo, Henrique Pestalozzi (1746-1827), que trabalhava com a educação de crianças pobres. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841), que tornou a verdadeira inspiração para a pedagogia conservadora, determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que titulamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada.

Tendências pedagógicas no Brasil e a Didática
Nos últimos anos, no Brasil, foram realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas, classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressista. Estas duas correntes têm grandes contestações entre si. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa, com regras e procedimentos padrões, centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. Já a didática, de cunho progressista, é entendida como direção da aprendizagem, o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos. Por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a prender.

Percebemos também que as tendências progressivas só ganharam força nos anos 80, com as denominadas "teorias críticas da educação". O autor classifica também as várias categorias destas duas tendências e comenta suas diferenças essenciais.

A Didática e as tarefas do professor
O caráter do professor influencia o seguimento e a qualidade do ensino. Para explicar isso, Libâneo esquematizou os principais objetivos da atuação docente:
- Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos científicos.
- Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades, dirigindo a autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos.
- Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade; ajudá-los a escolherem um caminho com convicções, preparando-os, assim, para problemas futuros na vida real. .

Esses três tópicos se integram, pois o processo de ensino e ao mesmo tempo o processo de educação elevam os principais pontos do planejamento escolar:
- Compressão da relação entre educação escolar e objetivos sociopolíticos e pedagógicos ligados ao objetivo de ensino das matérias.
- Domínio da disciplina que leciona e sua relação com a vida prática.
- Capacidade de analisar a matéria em módulos ou unidades, a partir e de sua estrutura conceitual básica.
- Conhecer as características socioculturais e individuais dos alunos.
- Domínio de métodos de ensino.
- Conhecimento dos programas oficiais para adequá-los às necessidades reais da escola e do aluno.
- Estar sempre bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes.

Para a direção do ensino e aprendizagem requer-se:
- Conhecimento das funções didáticas no processo de ensino.
- Ter conhecimento dos princípios gerais, dos conteúdos e métodos da disciplina.
- Viabilizar os métodos e os recursos auxiliares
- Habilidade de expressar ideias com clareza e de modo acessível.
- Tornar os conteúdos reais
- Saber formular perguntas e problemas
- Conhecimento das habilidades reais dos alunos
- Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente
- Apresentar uma linha de conduta de relacionamento com os alunos
- Instigar o interesse pelo estudo

Para a avaliação do professor requer-se:
- Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades
- Dominar os meios de avaliação diagnóstica
- Conhecer os tipos de modalidades de elaboração de provas e de avaliação qualitativa
- Essas condições são indispensáveis para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha.

O professor deve ter uma visão ampla sobre as aparências, não aceitando a normalidade, seja no livro didático ou mesmo nas ações pré-estabelecidas. Para isso, faz-se necessário um olhar crítico sobre as relações sociais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada.

Referência
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 31. Reimpressão. São Paulo: Cortez, 2010.

* É acadêmica da Universidade Federal do Amazonas

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